TIAGO SILVA
HISTÓRIA DE VIDA COM UMA PROFISSÃO ESQUECIDA
Vivemos em um mundo que tecnologias surgem, gerando novos empregos, e fazendo com que outros desapareçam. Uma uma profissão muito rara de se ver nos tempos de hoje, onde praticamente tudo que consumimos é descartável. Esta ocupação ainda exercida por poucas pessoas, é uma das mais antigas. Dela muitas famílias tiram o seu pão de cada dia. Trabalho que às vezes é passado de pai para filho, é o caso de Luiz Carlos, 46 anos, engraxate conhecido como “Alemão” na região central de Santo André.
Luiz Carlos aprendeu com o pai, que também foi passada para seu irmão a profissão. Serviço que todos da família desempenhavam, um ao lado do outro. A concorrência nunca o preocupou, ainda mais entre os familiares, pois cada um tinha seu jeito de trabalhar e seus clientes.
 Engraxa sapatos há mais de 30 anos no mesmo ponto embaixo do viaduto Antônio Adib Chammas, no centro da cidade. Lugar que somente ele continua, pois seu pai e seu irmão faleceram.
Trabalho que não é diferente dos demais. Todos os dias Alemão chega cedo como todo brasileiro, e segue sua rotina. Compra o jornal, toma café, e depois começa  a por em prática seu ofício. O mesmo jornal utilizado para se informar, é repassado para o cliente. “Sempre gostei de me manter por dentro das notícias”, diz Luiz.
Os longos anos como engraxate já renderia um livro a Alemão com todas as coisas que já viu embaixo do viaduto, e das histórias contadas pelos clientes. “Nesses anos, já vi gente se jogando do viaduto, discussão de bar, brigas de torcedores.” conta. O engraxate lembra também das grandes enchentes ocorridas antes da reforma da prefeitura de Santo André na região central. “Teve um dia que eu dei uma saída e quando voltei minha cadeira estava quase coberta de água.”.
Entre uma engraxada e outra, ele conta casos engraçados já ocorridos com ele. Como o caso do português que levou pão ao invés dos sapatos. “Um dia veio esse português com uma sacola na mão e falou: Alemão, trouxe esse sapato para você engraxar. Eu disse: senta ai português. Quando o homem abriu a sacola percebeu que tinha confundido com o sacolinha do pão; caramba português você não percebeu a diferença do peso”. recorda ele.
Assim leva sua vida com muito suor. Os cinco reais cobrados por cada engraxada, faz com que no fim do dia ganhe dinheiro apenas para se manter. Alemão recorda os tempos em que o movimento era maior. “Além da graxa, eu pegava cinco solas de sapatos para consertar, hoje, aparece um por mês.” diz o engraxate.
Mas nem sempre teve dias de alegria. Ele lembra quando o viaduto virou seu teto por noites, ao lado de sua cadeira. “Dormi aqui porque não queria ir para albergue. Hoje moro em pensão.”diz Luiz.
As mãos sempre com graxa, é o reflexo do cuidado que tem para não sujar o cliente. Toda a atenção no serviço e a alegria contagiante no trabalho, faz com que o cliente volte sempre.
 UM CEGO QUE NÃO FICA NA MÃO
Todos esses anos engraxando e vendo tudo o que acontecia embaixo do viaduto,  desperta o sentimento de compaixão e caridade, assim ajudando hoje aquele que nunca viu nada. Vestindo terno, gravata, sapatos lustrados e com sua bengala, Ricardo um deficiente visual, sempre conta com a mãozinha do Alemão.
Uma amizade que começou por acaso ou podemos dizer que por falta de sensibilidade das pessoas em estender a mão ao próximo. Luiz conta que tudo iniciou quando um dia Ricardo tentava atravessar a rua e niguém o ajudava. “Teve um dia que estava engraxando e vi ele parado com a bengala e ninguém o atravessava, pedi licença pro cliente e fui lá ajudar. Perguntei para onde estava indo e levei até a estação de trem.”
Desde então, todas as manhãs ele pratica um pequeno gesto, mas que para outros é de uma grandeza imensurável.

HISTÓRIA DE VIDA COM UMA PROFISSÃO ESQUECIDA

Vivemos em um mundo que tecnologias surgem, gerando novos empregos, e fazendo com que outros desapareçam. Uma uma profissão muito rara de se ver nos tempos de hoje, onde praticamente tudo que consumimos é descartável. Esta ocupação ainda exercida por poucas pessoas, é uma das mais antigas. Dela muitas famílias tiram o seu pão de cada dia. Trabalho que às vezes é passado de pai para filho, é o caso de Luiz Carlos, 46 anos, engraxate conhecido como “Alemão” na região central de Santo André.

Luiz Carlos aprendeu com o pai, que também foi passada para seu irmão a profissão. Serviço que todos da família desempenhavam, um ao lado do outro. A concorrência nunca o preocupou, ainda mais entre os familiares, pois cada um tinha seu jeito de trabalhar e seus clientes.

 Engraxa sapatos há mais de 30 anos no mesmo ponto embaixo do viaduto Antônio Adib Chammas, no centro da cidade. Lugar que somente ele continua, pois seu pai e seu irmão faleceram.

Trabalho que não é diferente dos demais. Todos os dias Alemão chega cedo como todo brasileiro, e segue sua rotina. Compra o jornal, toma café, e depois começa  a por em prática seu ofício. O mesmo jornal utilizado para se informar, é repassado para o cliente. “Sempre gostei de me manter por dentro das notícias”, diz Luiz.

Os longos anos como engraxate já renderia um livro a Alemão com todas as coisas que já viu embaixo do viaduto, e das histórias contadas pelos clientes. “Nesses anos, já vi gente se jogando do viaduto, discussão de bar, brigas de torcedores.” conta. O engraxate lembra também das grandes enchentes ocorridas antes da reforma da prefeitura de Santo André na região central. “Teve um dia que eu dei uma saída e quando voltei minha cadeira estava quase coberta de água.”.

Entre uma engraxada e outra, ele conta casos engraçados já ocorridos com ele. Como o caso do português que levou pão ao invés dos sapatos. “Um dia veio esse português com uma sacola na mão e falou: Alemão, trouxe esse sapato para você engraxar. Eu disse: senta ai português. Quando o homem abriu a sacola percebeu que tinha confundido com o sacolinha do pão; caramba português você não percebeu a diferença do peso”. recorda ele.

Assim leva sua vida com muito suor. Os cinco reais cobrados por cada engraxada, faz com que no fim do dia ganhe dinheiro apenas para se manter. Alemão recorda os tempos em que o movimento era maior. “Além da graxa, eu pegava cinco solas de sapatos para consertar, hoje, aparece um por mês.” diz o engraxate.

Mas nem sempre teve dias de alegria. Ele lembra quando o viaduto virou seu teto por noites, ao lado de sua cadeira. “Dormi aqui porque não queria ir para albergue. Hoje moro em pensão.”diz Luiz.

As mãos sempre com graxa, é o reflexo do cuidado que tem para não sujar o cliente. Toda a atenção no serviço e a alegria contagiante no trabalho, faz com que o cliente volte sempre.

 UM CEGO QUE NÃO FICA NA MÃO

Todos esses anos engraxando e vendo tudo o que acontecia embaixo do viaduto,  desperta o sentimento de compaixão e caridade, assim ajudando hoje aquele que nunca viu nada. Vestindo terno, gravata, sapatos lustrados e com sua bengala, Ricardo um deficiente visual, sempre conta com a mãozinha do Alemão.

Uma amizade que começou por acaso ou podemos dizer que por falta de sensibilidade das pessoas em estender a mão ao próximo. Luiz conta que tudo iniciou quando um dia Ricardo tentava atravessar a rua e niguém o ajudava. “Teve um dia que estava engraxando e vi ele parado com a bengala e ninguém o atravessava, pedi licença pro cliente e fui lá ajudar. Perguntei para onde estava indo e levei até a estação de trem.”

Desde então, todas as manhãs ele pratica um pequeno gesto, mas que para outros é de uma grandeza imensurável.

Mais fotos desse ensaio na próxima página.

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